O horário de verão pode estar prestes a retornar ao Brasil em 2025. O motivo, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), é a crescente preocupação com o risco de apagões nos próximos anos. De acordo com o Plano de Operação Energética 2025–2029, divulgado em julho, o país enfrenta um déficit estrutural de energia no horário de pico — especialmente no início da noite, quando o consumo é alto e a geração solar já não contribui mais.
A proposta está sendo analisada como uma das medidas emergenciais para lidar com esse cenário. Mas será que o horário de verão realmente faz diferença? E o que mais está sendo planejado? Acompanhe o resumo completo.
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Por que o horário de verão está em debate?
Com o crescimento da economia e o avanço da eletrificação, o consumo de energia no Brasil deve subir cerca de 3,4% ao ano, acumulando 14,1% até 2029. O grande desafio está no período entre 18h e 21h, quando as pessoas chegam em casa, ligam luzes, chuveiros, TVs e, principalmente, ar-condicionado.
Segundo o ONS, a reintrodução do horário de verão ajudaria a deslocar parte desse consumo para mais tarde, aliviando o pico de demanda em até 2 gigawatts (GW). Essa redução seria suficiente para evitar a sobrecarga em muitas regiões.
Além disso, estudos apontam que a economia de energia pode chegar a 4% no horário de pico, segundo pesquisadores da USP. Isso também resultaria em menor uso de usinas termelétricas — mais caras e poluentes —, reduzindo emissões de carbono.
Outras medidas em avaliação
Embora o horário de verão seja destaque, ele não é a única solução. O ONS também propôs:
- Acionamento extra de termelétricas, principalmente no segundo semestre de 2025;
- Importação de energia de países vizinhos, como Argentina e Uruguai;
- Leilões de potência, para contratar fontes flexíveis como hidrelétricas com reservatório;
- Redução voluntária de carga por grandes consumidores industriais, como alternativa emergencial.
Essas ações compõem uma estratégia mais ampla de segurança energética para o país.
Vantagens e desvantagens do horário de verão
Benefícios esperados:
- Alívio imediato no sistema elétrico durante o horário de pico;
- Menor risco de apagões nas grandes cidades;
- Redução do uso de termelétricas, diminuindo custos e emissão de CO₂;
- Ganho de tempo útil com mais luz natural ao fim do dia.
Pontos de atenção:
- O padrão de consumo mudou: atualmente, o maior uso de energia ocorre à tarde, devido ao aumento no uso de ar-condicionado;
- A mudança no relógio afeta a rotina e o sono de parte da população;
- Para ser implementado em 2025, o governo precisa tomar a decisão até agosto, pois a alteração exige um aviso prévio de 90 dias.
O que pode acontecer agora?
A recomendação formal do ONS deve ser entregue ao Governo Federal nas próximas semanas. A decisão final será do Ministério de Minas e Energia, com suporte do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico).
Caso aprovada, a medida valerá entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Ainda que não resolva totalmente o problema, o horário de verão pode ganhar tempo para que outras soluções mais robustas sejam implementadas.
Considerações finais
O retorno do horário de verão está sendo considerado como uma estratégia rápida e de baixo custo para reduzir o risco de apagões. Embora não seja uma solução definitiva, pode funcionar como um alívio temporário enquanto o Brasil adapta sua matriz energética para uma realidade com mais consumo e maior participação de fontes intermitentes, como a solar e a eólica.
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